quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Tristessa - Jack Kerouac
"Estou em um táxi com Tristessa, bêbado, com uma garrafa de uísque Juarez Bourbon no malote de dinheiro da ferrovia que eles me acusaram de roubar da estrada de ferro em 1952 - aqui estou eu na Cidade do México, um sábado à noite chuvoso, mistérios, velhas ruas laterais de sonho e sem nomes passam vertiginosamente, a ruazinha onde eu caminhara por entre multidões de vagabundos índios enrolados em mantas trágicas, suficientes para fazer você chorar, e você achou ter visto facas reluzindo sob as dobras - sonhos lúgubres tão trágicos quanto aquele da Velha Noite da Estrada de Ferro, com meu pai sentado com suas coxas grandes no vagão dos fumantes da noite, cochilando enquanto seguia pelos trilhos vastos, enevoados e tristes da vida - mas agora estou no alto daquele platô vegetal que é o México, a lua de Citlapol com quem eu esbarrara algumas noites antes no telhado sonolento a caminho do antigo banheiro de pedra com goteira - Tristessa está doidona, linda como sempre. Vai alegre pra casa deitar na cama e curtir sua morfina.
(...)
Ela é uma garota bonita demais. Eu me pergunto o que todos os meus amigos iam dizer lá em Nova York e em San Francisco, e o que aconteceria em Nola quando você a visse atravessar a Canal Street sob o sol quente, ela de óculos escuros e um andar preguiçoso, tentando amarrar o quimono ao sobretudo fino como se o quimono devesse amarrar o casado, dando puxões convulsivos e brincando na rua..."
Trecho do livro "Tristessa" de Jack Kerouac.
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